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Relatório

Só 1 em 10 jovens da saúde está satisfeito no trabalho

Apenas 10% dos jovens profissionais de saúde estão satisfeitos e 65% já pensaram emigrar. O que está por trás da insatisfação e como a tecnologia pode devolver tempo ao cuidar.

Pedro Stark
Por Pedro Stark
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Sobre o autor

Pedro Stark

Pedro Stark

Group Managing Partner

Apenas 1 em cada 10 jovens profissionais de saúde está satisfeito com as condições de trabalho. Como pode a tecnologia ser uma aliada?

Num momento em que os sistemas de saúde enfrentam desafios enormes um pouco por todo o lado, a situação dos profissionais mais jovens ganha um peso especial. São eles que vão liderar o setor nas próximas décadas e garantir a continuidade dos cuidados, por isso perceber o que os preocupa, o que esperam e o que precisam é decisivo para construir um futuro sustentável para a saúde em Portugal.

Um estudo publicado em abril pela Plataforma de Jovens Profissionais de Saúde deixou um aviso difícil de ignorar: apenas 10% dos jovens da área dizem estar satisfeitos com as condições de trabalho. Pior, 65% já ponderaram emigrar devido à crescente insatisfação com o emprego no país.

A leitura de quem está no terreno é dura. Xavier Canavilhas, representante da Plataforma, citado pelo Público, lembra que, apesar da dedicação inquestionável à profissão, estes jovens vivem com salários baixos, sem progressão na carreira e sob forte stress, e que são esses fatores que os empurram a pensar seriamente em sair do país.

Os números falam por si e mostram um setor sob pressão. Jornadas longas, excesso de burocracia e falta de reconhecimento estão no topo das causas apontadas. Tudo somado, é o que dificulta a retenção de jovens talentos em Portugal e acaba por prejudicar a qualidade do serviço prestado à população.

O impacto na prestação de cuidados é, aliás, uma das maiores preocupações do estudo: 70% destes profissionais admitem sentir-se sob pressão com frequência. O cenário não ameaça apenas quem trabalha, ameaça a própria sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde. Com a saída de quem está a começar, o sistema fica mais frágil e menos inovador, precisamente quando tem de responder a uma sociedade que envelhece a um ritmo acelerado.

Não por acaso, na primeira Convenção de Jovens Profissionais de Saúde, em Lisboa, os participantes votaram uma moção com medidas concretas para o setor, e a adoção de novas tecnologias foi uma das estratégias aprovadas. Para estes jovens, a tecnologia pode cortar a burocracia e devolver-lhes aquilo que os trouxe para a medicina: tempo para cuidar das pessoas.

É também aqui que entra a CW1 com o seu ecossistema malm. Boa parte do desgaste que estes jovens descrevem não vem de tratar doentes, vem de tudo o resto. O processo que não aparece, o historial que é preciso reconstruir à mão, as chamadas que se repetem, a informação espalhada por sistemas que não falam entre si. Quase sempre, o problema é de comunicação: a informação existe, mas não circula. A CW1 trabalha exatamente nessa camada, ao tratar isto como uma questão de coordenação, e não de papelada, para que aquilo que o utente já disse chegue ao profissional sem ter de ser dito outra vez.

Por isso é que a resposta não passa por mais um formulário, mas por repensar o percurso do doente de uma ponta à outra. Quando o percurso é pensado como um todo, o peso administrativo cai por si:

  • O registo clínico segue o doente, por isso ninguém gasta metade da consulta a reconstruir um historial que já existe.
  • A comunicação com o utente fica num só fluxo, em vez de horas ao telefone e mensagens dispersas.
  • As marcações e as faltas deixam de ser um quebra-cabeças manual, libertando os secretários clínicos para o acompanhamento dos doentes.
  • O profissional chega à consulta com o contexto à frente e usa o tempo a decidir, não a procurar.

A burocracia que esgota os mais novos não é uma fatalidade da medicina. É o sintoma de um sistema que nunca foi desenhado para se ligar.

Ao retirar este peso, a tecnologia não substitui ninguém. Faz o contrário. Liberta tempo e atenção, recursos cada vez mais escassos, para o acompanhamento dos doentes, para a formação e para a investigação clínica. E os ganhos não são só individuais: serviços mais bem organizados significam menos espera para os utentes e maior satisfação de quem é atendido, o que melhora, por arrasto, o próprio ambiente de trabalho nas unidades.

Ainda assim, nenhuma tecnologia chega para resolver isto sozinha. Repensar o percurso só faz sentido a par de políticas públicas que valorizem quem trabalha na saúde, com condições justas, carreiras estáveis e reconhecimento. É essa a única forma de construir um setor capaz de reter e de motivar os seus jovens.

O estudo da Plataforma de Jovens Profissionais de Saúde devia ser lido pelas instituições como aquilo que é, um apelo à ação. A insatisfação e a vontade de emigrar podem ser contrariadas, desde que se combine a valorização das pessoas com uma forma de gerir a saúde que lhes alivie o dia a dia. Num setor onde o fator humano é tudo, investir em tecnologia para libertar tempo e energia dos profissionais é investir num futuro mais saudável para todos.

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