Portugal enfrenta uma transformação demográfica profunda: a população está a envelhecer depressa. Segundo o Pordata, que reúne os dados oficiais sobre a população portuguesa, o país tem mais de 2,5 milhões de pessoas com 65 anos ou mais. Desde 2019, a população idosa cresce mais de 2% ao ano, indica o mesmo estudo.
A estes números juntam-se os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), que confirmam que 42,3% das pessoas com 16 ou mais anos referiram ter doença crónica ou problema de saúde prolongado em 2024, mais 10,2 pontos percentuais do que em 2004. A condição afetava sobretudo os idosos (68,1%) e as mulheres (45,9%). E, à escala da União Europeia, os resultados relativos a 2023 colocavam Portugal como o terceiro país com a maior proporção de pessoas com doença crónica.
Com a idade, sobe também a prevalência de doenças como a diabetes, a hipertensão, os problemas cardiovasculares e respiratórios. Esta realidade coloca um desafio enorme ao setor da saúde, que tem de se adaptar para garantir cuidados de qualidade a uma população mais idosa e com necessidades clínicas mais complexas.
O envelhecimento e o avanço das doenças crónicas pesam de forma direta sobre o Serviço Nacional de Saúde. Dos cuidados primários às urgências, cresce a procura de consultas regulares, de acompanhamento continuado e de apoio social. E, para muitos destes idosos, há ainda barreiras que se acumulam: a mobilidade reduzida, os problemas auditivos ou cognitivos e a solidão, tudo aquilo que dificulta o acesso aos cuidados tal como hoje estão pensados.
Com a população idosa a crescer todos os anos, torna-se inevitável repensar a organização dos serviços, o atendimento nos centros de saúde e, sobretudo, a forma como falamos com estes utentes. A comunicação tem de ser simples e acessível, e acima de tudo humana, respeitando as limitações e as necessidades desta faixa etária.
É aqui que a transformação digital pode ajudar, desde que implementada com cabeça e com a pessoa no centro da solução. Para a população mais idosa, as ferramentas têm de ser intuitivas e fáceis de usar, e oferecer apoio humano sempre que é preciso, desde logo através do telefone e do telemóvel, já que muitos destes idosos não conseguem recorrer à internet.
É neste contexto que surge a CW1 e a forma como coordena os cuidados de saúde e a comunicação entre utentes e unidades, através de jornadas mais eficazes, pensadas à medida de uma população envelhecida.
Na prática, a CW1 ataca aquilo que mais pesa a um doente idoso com várias patologias: a desorganização entre serviços. Em vez de obrigar a pessoa a recomeçar em cada consulta, o seu registo clínico acompanha-a de unidade em unidade, para que o médico chegue já com o historial à frente. Para quem vive ao mesmo tempo com diabetes, hipertensão e um problema cardíaco, isto não é um detalhe técnico. É a diferença entre ser acompanhado e ser apenas atendido.
Esse desenho traduz-se em coisas concretas para quem mais precisa:
- Um ponto de contacto humano, por telefone e não só por aplicação, para quem não navega na internet com facilidade.
- Chamadas de retorno a uma hora combinada, em vez de longas esperas em linha ou de tentativas que ninguém atende.
- Acompanhamento regular das doenças crónicas e renovação de receituário sem deslocações desnecessárias.
- Um historial que viaja com o doente, por isso ninguém volta a repetir sintomas, alergias ou medicação a cada nova porta.
Para um idoso, a melhor tecnologia costuma ser aquela que ele nem precisa de usar: basta que, do outro lado, alguém já o conheça.
É esta a lógica da CW1: pôr a coordenação e a comunicação a trabalhar para o utente, e não o contrário. A tecnologia faz o trabalho invisível por trás, para que a pessoa sinta apenas uma coisa, que o sistema, finalmente, se lembra de quem ela é.
Adaptar o setor da saúde à nova realidade demográfica é uma necessidade urgente. O futuro exige um sistema mais ágil e mais eficiente, centrado nas pessoas e em especial nas mais vulneráveis. Apostar em soluções como a CW1 é um passo decisivo para tornar o acesso à saúde mais simples, mais eficaz e mais humano.
Só com inovação, com planeamento e com um compromisso sério para com a dignidade dos cidadãos mais velhos será possível construir um sistema de saúde verdadeiramente preparado para o que aí vem. A resposta está nas nossas mãos, e o momento de agir é agora.
Consulte o programa Malm da CW1 que visa dar resposta e acção aos problemas da saúde na Europa.

